Luta pela coleta seletiva de lixo

Em 1974, Magda Renner, Giselda Castro e os ambientalistas da AGAPAN José Lutzenberger e Hilda Zimermann mobilizaram-se em prol da preservação das Ilhas do Guaíba em Porto Alegre. A área recebia, então, todo lixo da cidade. Surgiu, assim, a primeira campanha pela coleta seletiva de lixo. A ADFG fez o projeto com a definição do roteiro da coleta, divulgação e mobilização de donas de casa, telefonistas e motoristas. Mas, o caminhão não foi liberado pelo Departamento de Limpeza Pública da capital gaúcha. E a coleta seletiva de lixo em Porto Alegre, que poderia ter começado no início dos anos 70, só passou a ser feita em 1990. Porém, o resultado positivo imediato da mobilização ambiental foi a transformação das ilhas no Parque Nacional do Delta do Jacuí em 1976.
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As Irmãs

Dois depoimentos resgatam com propriedade as origens das biografadas. Regina Escosteghy Flores da Cunha (irmã de Giselda) e Verena Nygaard (irma de Magda) abriram as portas das suas casas e falaram com orgulho da militância das ambientalistas. Além disso, elas relembraram com carinho a história das famílias, o convívio e a personalidade das irmãs.

 

Amigos da Terra Brasil 50 Anos

O documentário Substantivo Feminino também é uma forma de homenagear os 50 anos dos Amigos da Terra no Brasil. A organização começou em 1964 como ADFG, mudou para ADFG – Amigos da Terra e, desde 1998, é o NAT- Núcleo Amigos da Terra Brasil. Entre os ex e atuais integrantes do NAT, tivemos todo apoio para realizar pesquisas e mergulhar num acervo rico de correspondências, documentos e publicações que, no futuro, farão parte da Biblioteca Magda Renner na sede da Rua Olavo Bilac, em Porto Alegre. Nosso reconhecimento à confiança e ao incentivo de Bruna Engel e de André Guerra do Grupo de Trabalho e ao atual presidente Fernando Campos Costa.

 

Porque elas

Muita gente pergunta por que fazer um documentário sobre Giselda Castro e Magda Renner. A resposta é múltipla, mas pode-se dizer que o trabalho delas é uma inspiração, em especial para quem pensa na coletividade. E nada mais oportuno nesta época de individualismos. As pessoas que gravaram depoimentos também ajudam muito nesse entendimento. Aqui, algumas manifestações:

“Viver o ambientalismo é ter uma visão de vida diferenciada, uma visão que agrega solidariedade. Viver o ambientalismo é uma filosofia de vida que já era presente no modo de agir, ser e viver da Giselda e da Magda”. Silvia Capelli- procuradora de Justiça

“Magda e Giselda conseguiram fazer que a indignação delas se transformasse em uma luta que transcendeu e atingiu a sociedade. Por isso acho que elas foram construtoras sociais, ficaram indignadas e foram a luta”. Antenor Ferrari, ex-presidente da Assembleia Legislativa RS

“Eram mulheres fortes, carismáticas, mas o mais importante se me perguntassem é que eram combativas. Fica o exemplo num mundo com poucos heróis, de poucos referenciais éticos. Elas são heroínas de um momento e construíram uma história que tem mais sentido hoje que teria lá atrás”. Fábio Feldmann- ex-deputado federal SP

“Ainda se está muito longe de fazer justiça ao papel extraordinário que Magda e Giselda tiveram na construção de uma consciência, de uma cultura voltada para a vida”. Lilian Dreyer- jornalista

ADFG 50 Anos

Há exatos 50 anos, em 13 de março, um pequeno grupo de senhoras cultas e da alta sociedade de Porto Alegre criou uma entidade para exercer a cidadania.

Elas começaram se posicionando com a escolha do próprio nome. Rejeitaram a palavra associação, ou assemelhadas em tom de agremiação e, para batizar a vontade do pequeno grupo de mulheres, cunharam o termo Ação.

A Ação Democrática Feminina Gaúcha, que depois ficou mais conhecida pela sigla composta ADFG – Amigos da Terra, desempenhou um papel fundamental nos últimos tempos no desenvolvimento do conceito de desenvolvimento sustentável e da perseguição, à melhor qualidade de vida, que contempla a busca de um mundo melhor para todos.

Como disse uma delas depois, as senhoras na faixa dos 40 anos deixaram o conforto do lar motivadas pelo despertar da consciência cidadã e envolveram-se ativamente nos destinos do país.

Identificadas como pioneiras ecologistas, pela atuação de repercussão contundente ao lado de José Lutzenberger nos anos 70 e 80, foram mais militantes do civismo e da democracia, que afirmaram o ativismo brasileiro em diversos países.

No Dia Mundial do Meio Ambiente, 5 de junho, no ano de 2005, Villa homenageou líderes históricas do movimento como Giselda Castro, Magda Renner e Hilda Zimermann, com a medalha da 52ª Legislatura.

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