ADFG

Em 13 de março de 1964, Giselda Castro e um pequeno grupo de senhoras da alta sociedade porto-alegrense fundaram a Ação Democrática Feminina Gaúcha. O objetivo inicial da ADFG era realizar um trabalho assistencial com foco na educação de jovens e na profissionalização de mulheres de baixa renda. Logo em seguida, Magda Renner passou a integrar a entidade. Motivadas pelas ideias do ambientalista José Lutzenberger, a ADFG passou a se dedicar também à causa ecológica. No documentário Substantivo Feminino, as ex-integrantes da ADFG Ilka Bopp e Sofia Renner lembraram o início da entidade e a atuação de Magda e Giselda em defesa do Meio Ambiente. Confira algumas fotos:

Substantivo Feminino na Alemanha

Uma das últimas captações de depoimentos para o documentário Substantivo Feminino foi agora em junho, na Alemanha. A jornalista Paola Rodríguez, colombiana radicada na Europa, conversou com o cientista Joachim Spangenberg, coordenador do Helmholtz Centre for Environment Research. O cientista recebeu a equipe na cidade de Colonia onde falou da convivência com as ambientalistas gaúchas em encontros internacionais nos anos 80 e 90. Lembrou da postura diplomática de Magda e Giselda: “Muitas vezes, os verdadeiros revolucionários são pacíficos, sua chama se ativa em silêncio. Por isso, lutam e vencem mais batalhas do que aqueles que querem se impor com gritos e a força”.

 

Juan Zapata

O cineasta Juan Zapata assina, juntamente com Daniela Sallet, a codireção do longa-metragem documental Substantivo Feminino. Colombiano radicado no Brasil há mais de 10 anos, estudou na Universidade Jorge Tadeo Lozano, em Bogotá, e na Escuela Internacional de Cine y TV de Cuba. Também, lecionou na Universidade Luterana do Brasil (ULBRA). Ainda, a frente da produtora e distribuidora Zapata Filmes, realizou diversos documentários como  Fidelidad (2004), A Dança da Vida (2007) e Ato de Vida (2009). Recentemente, lançou seu primeiro drama ficcional SIMONE (2013), filme do qual Daniela Sallet participou como produtora associada – surgindo então uma feliz parceria.

Para Daniela Sallet, Juan Zapata foi de grande importância para o documentário Substantivo Feminino e demostra sua gratidão:

 

“O Juan foi fundamental para o filme ganhara dimensão que ganhou. Foi o olhar sensível dele que mostrou a universalidade que as histórias de Giselda Castro e Magda Renner têm, a capacidade de emocionar em qualquer língua”.

 

Por sua vez, Juan Zapata reconhece a dedicação de Daniela Sallet:

 

“Historias tão profundas e heroicas como essas só conseguem ser trazidas à tona  por pessoas persistentes e passionais que acreditam que elas devem ser compartilhadas”.

 

Constituinte de 1988

A Capital Federal foi o destino de Giselda Castro e Magda Renner incontáveis vezes, mas foi durante a Assembléia Nacional Constituinte, que ocorreu em 1988, que a presença das ambientalistas foi constante no Congresso. Durante tal acontecimento histórico, elas atuaram junto à Frente Verde, liderada pelo então deputado federal por São Paulo Fábio Feldmann. A Frente elaborou todo o capítulo acerca do Meio Ambiente da Constituição Federal que resultou em mudanças significativas. Municípios, Estados e a União, por exemplo, passaram a ter responsabilidades na preservação. As fotos são do CEDI, Centro de Documentação e Informação da Câmara Federal. A produção em Brasília é da jornalista Carla Bisol.

O título

A escolha de “Substantivo Feminino” como título do documentário sobre as ambientalistas Giselda Castro e Magda Renner aconteceu durante a pesquisa sobre as biografadas, quando a equipe teve acesso à obra Pioneiros da Ecologia de Elmar Bones e Geraldo Hasse. No capítulo dedicado à trajetória de Giselda, ela declara: “Na maior parte do mundo civilizado, a palavra “natureza” é um substantivo feminino… Nós entramos neste movimento para ficar. Entramos com coragem e determinação, e, sobretudo, com a visão de que o ecologismo é a introdução dos valores femininos no processo de desenvolvimento.” Uma definição precisa que inspira todo o projeto!